Consciência Individual

Historicamente na maioria das cidades brasileira, o lixo era, em grande parte, jogado nas ruas, beiras de rios urbanos ou mar e levado pela correnteza. Na Literatura nacional, nas obras de ficção, são descritas cenas em que os escravos jogam ao mar ou em pequenas ruas o lixo e dejetos das casas. A prova disso é que até hoje, em São Luís - MA, uma rua tem o sugestivo nome de Rua da Bosta.

Antes do boom industrial do início do século XX, os resíduos produzidos pelas populações urbanas eram quase exclusivamente orgânicos, ou seja, biodegradáveis. Parte desse lixo, era também enterrado ou queimado.

Foi com o advento da medicina higienista que tais procedimentos começaram a ser transformados, com pretexto de melhorar as condições de saúde das pessoas, ela vai aos poucos modificando o modo de vida dos indivíduos, das famílias e da sociedade de um modo geral. As epidemias e endemias nas cidades, que frequentemente matavam boa parte da população urbana, passa a ser preocupação de urbanistas, médicos, enfermeiros, engenheiros etc. Assim , ruas começam a ser calçamentadas, redes de esgoto são construídas, as águas passam por diversos processos de tratamento de desinfecção e inicia-se o regulamento do comercio de alimentos.

Mais recentemente é que há uma preocupação em relação aos cuidados com o lixo produzido. Como coletar, transportar e tratar os resíduos sólidos. Dar destinação adequada a todo esse resíduo é um problema mundial, que, em países mais desenvolvidos, vem sendo enfrentado com uma revisão nos valores de consumo e também com a busca da reutilização e reciclagem dos materiais.

No Brasil, os problemas não são poucos e foram necessários 20 anos de discussões para que se aprovasse uma legislação específica para trazer todos os envolvidos à responsabilidade. A nova Lei estabelece um prazo de quatro anos para que lixões sejam extintos, e para que se invista, e muito, em coleta seletiva, bem como naorganização dos catadores.

Atualmente em um país continental e de realidades econômicas, sociais e culturais tão diversas, verificamos diferentes estágios e formas de convivência com o problema do lixo: desde localidades sem coleta, passando por pequenas cidades com coleta seletiva e reciclagem.

No Ceará, a principal destinação dos resíduos sólidos é o lixão.

UM ESTADO COM 184 MUNICÍPIOS, POSSUI HOJE 254 LIXÕES. É POUCO? (Fonte: IBGE 2006).

O Sistema de fiscalização dos aterros está emperrado. Nem os órgãos oficiais se entendem quanto ao número de aterros sanitários, controlados e lixões. Até onde se permite conhecer a História , nos encontramos hoje em situação sem precedentes,: nossos espaços de reserva estão diminuindo e a Terra parece estar tornando-se pequena demais para a crescente população.

Um aumento da população mundial implica no aumento do uso das reservas do planeta, da produção de bens - e também da geração de lixo.

"Meus são estes metais que brilham, meus são estes vidros que esplendem, minha é está consciência Limpa" Rubem Braga

Lixo ?

Lixo ?
Vik Muniz

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Resíduos da Construção Civil


Pesquisadores apresentam novo método para reciclagem de resíduos Um novo método para aproveitamento dos resíduos de construção civil e demolição (RCD), 50% mais barato e com consumo de energia 80% menor. Esse é o principal resultado de um estudo realizado por pesquisadores da Escola Politécnica da USP (Poli/USP), do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
O novo método dispensa a britagem do material a ser reciclado, o que barateia o processo e torna viável a instalação de pequenas usinas de reaproveitamento dos RCD. O método é tão inovador, que está sendo patenteado. A tecnologia desenvolvida possibilita que usinas de reciclagem simplifiquem a produção de matéria-prima para bases e sub-bases de pavimentação a partir de resíduos da construção civil. Atualmente, a reciclagem de RCD passa necessariamente pela britagem (quebra dos resíduos em pedaços pequenos, com no máximo 63 milímetros de diâmetro). Isso encarece o processo, pois o britador representa mais da metade do investimento total da montagem de uma usina de reciclagem. O novo método reduz os investimentos iniciais e simplifica a operação das centrais de reciclagem, o que torna viável um maior número de centrais de reciclagem públicas ou privadas.
Aplicações: A nova tecnologia está baseada nos resultados de uma pesquisa com amostras representativas de resíduos coletados em três cidades: Macaé (RJ), Maceió (AL) e São Paulo (SP). Metade dos resíduos tinha tamanho inferior a 63 milímetros; ou seja, poderiam ser aplicados diretamente na composição de pavimentos, sem necessidade da britagem. Esta constatação levou a equipe a propor uma forma extremamente simples de transformar resíduos em agregados: separação manual do material indesejável ao processo, seguido de peneiramento na bitola de 60 mm e de uma nova remoção manual dos contaminantes (madeira, papel, cerâmica), remanescentes da fração abaixo de 63 mm, que será comercializada como agregado de pavimentação.
O novo método poderá ser aplicado em ambientes urbanos e adotado por prefeituras, cooperativas ou empreendimentos privados. A redução dos investimentos iniciais, dos custos e da complexidade de operação facilita a introdução da reciclagem, inclusive porque reduz os riscos. Em conseqüência, evita-se a deposição ilegal desses resíduos nas margens de ruas e rios, reduzindo os impactos ambientais, além de minimizar os gastos das prefeituras com a gestão deles.A nova tecnologia tem várias outras vantagens, a exemplo da redução do consumo de energia elétrica (60 a 80%) em relação ao sistema de reciclagem tradicional com britagem.
O novo método também torna possível a implantação das usinas nas proximidades do mercado consumidor, o que significa menores distâncias de transporte, que corresponde a dois terços do preço final do produto. Outra vantagem é que o sistema reduz de forma significativa a emissão de material particulado e principalmente de ruídos na operação de britagem. Assim, alternativas de desenvolvimento sustentável são incentivadas.
Além do professor Vanderley John, entre os pesquisadores da Poli também participaram da pesquisa o professor Artur Pinto Chaves e a pesquisadora Carina Ulsen, ambos do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo, e os pesquisadores Francisco Mariano Sérgio Ângulo (atualmente no do IPT).

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